{"id":78,"date":"2012-01-16T00:33:34","date_gmt":"2012-01-16T03:33:34","guid":{"rendered":"http:\/\/belomonte.noblogs.org\/?p=78"},"modified":"2012-01-17T21:59:43","modified_gmt":"2012-01-18T00:59:43","slug":"santarem-a-ruropolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/?p=78","title":{"rendered":"De Santar\u00e9m a Rur\u00f3polis"},"content":{"rendered":"<p><strong>Altamira, madrugada de 16 para 17 de janeiro de 2012<br \/>\n<\/strong><em>Sede do Movimento Xingu Vivo Para Sempre\u00a0<\/em><em><\/em><\/p>\n<p>Come\u00e7amos a vinda de Santar\u00e9m para c\u00e1 no dia 11 ao meio-dia, levantando uma plaquinha que dizia \u201cAltamira\u201d e outra que dizia \u201cRur\u00f3polis\u201d em frente a um posto, na sa\u00edda da BR-163. Nessa ponta, a rodovia Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m \u00e9 razoavelmente ampla, razoavelmente asfaltada, razoavelmente sinalizada e merece razoavelmente o nome de BR. Um senhor e um rapaz aguardavam um \u00f4nibus perto de onde est\u00e1vamos, e vieram sol\u00edcitos dizer que n\u00e3o era costume por aqueles lados os motoristas pararem para dar carona. Outro caminhoneiro veio nos oferecer um marmitex, e disse que n\u00e3o conseguir\u00edamos nenhuma carona ali, coisa que ele sabia depois dos 40 anos em que pegava a estrada. O dia parecia mesmo promissor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_119\" aria-describedby=\"caption-attachment-119\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-119\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01443-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01443-300x225.jpg 300w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01443.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-119\" class=\"wp-caption-text\">Ao pegar caronas, comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_122\" aria-describedby=\"caption-attachment-122\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01446.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-122\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01446-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01446-300x225.jpg 300w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01446-150x112.jpg 150w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01446.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-122\" class=\"wp-caption-text\">Convic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem primeiro aceitou nos levar foi o motorista de um \u00f4nibus que ia para a localidade de A\u00e7aizal, 72 km \u00e0 frente. Depois de poucas horas de trajeto, e incont\u00e1veis paradas em lugares bem improv\u00e1veis (a \u00faltima foi o quintal de uma fam\u00edlia), ficamos bem na frente da entrada da Flona Tapaj\u00f3s, antes que o \u00f4nibus pegasse o acesso para a cidadezinha.<\/p>\n<p>Placas velhas e carcomidas indicando o mapa e as informa\u00e7\u00f5es principais da Floresta Nacional, um guardinha com a rede armada na guarita, xixi no mato, besouro enorme lindo e azul \u00e0 beira da estrada, e muito sol na cuca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_128\" aria-describedby=\"caption-attachment-128\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01450.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-128\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01450-300x208.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01450-300x208.jpg 300w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01450-150x104.jpg 150w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01450.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-128\" class=\"wp-caption-text\">Flona do Tapaj\u00f3s<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ali conhecemos Edson, nossa pr\u00f3xima carona, jovem funcion\u00e1rio da Cargill que nos levou at\u00e9 aproximadamente o km 100 da rodovia. Apesar da forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de economia e finan\u00e7as, sua fun\u00e7\u00e3o na multinacional \u00e9 a de fiscalizar as fazendas produtoras de soja que tomaram financiamento da companhia para comprar as sementes e iniciar o plantio. Segundo ele, sua atividade consiste em garantir que os agricultores est\u00e3o plantando mesmo e numa \u00e1rea desmatada antes de 2006, ano em que houve anistia geral para a supress\u00e3o ilegal de floresta. Caso tenham aberto novas \u00e1reas, n\u00e3o poder\u00e3o vender \u00e0 Cargill a soja plantada nelas, tendo que dar outro destino para essa colheita. Por raz\u00f5es de mercado (compradores europeus), a soja plantada nas fazendas da regi\u00e3o \u00e9 convencional (n\u00e3o-transg\u00eanica), sendo exportada diretamente pela unidade portu\u00e1ria da empresa em Santar\u00e9m, constru\u00edda a partir de 2000 e inaugurada em 2003. Do lado de fora da janela, a fala de nosso solid\u00e1rio motorista vai ganhando ilustra\u00e7\u00f5es em tempo real: \u00e1reas enormes de campo aberto (planta\u00e7\u00f5es) contrastam com a a mata fechada que, nesse ponto, j\u00e1 se apresenta mais como interst\u00edcios do que como vis\u00e3o preponderante. \u00c9 a soja na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>De volta ao asfalto quente, paramos no alto de uma colina leve, vis\u00e3o privilegiada da longa estrada que corta a floresta. Uma moto se aproxima e p\u00e1ra ao nosso lado: &#8220;- Voc\u00eas tem \u00e1gua?&#8221;. Titubeamos sem saber se aquilo era um pedido ou uma oferta generosa. Depois de um longo gole em nossa garrafa, o motociclista nos contou como conseguiu salvar um desconhecido que encontrou poucos momentos antes, \u00e0 beira de uma estrada rural, picado por uma cobra. Havia acabado de deixar o vitimado num Batalh\u00e3o do Ex\u00e9rcito al\u00ed pr\u00f3ximo, j\u00e1 meio verde-p\u00e1lido pela a\u00e7\u00e3o do veneno. Em poucos instantes vimos passar no sentido contr\u00e1rio a ambul\u00e2ncia de cor escura-militar, rumo ao hospital de Santar\u00e9m. Aparentemente, todos se salvaram, inclusive a cobra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_129\" aria-describedby=\"caption-attachment-129\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01453.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-129\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01453-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01453-225x300.jpg 225w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01453-112x150.jpg 112w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01453.jpg 383w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-129\" class=\"wp-caption-text\">Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m, quil\u00f4metro 100, perto do nada, ali um pouquinho antes do lugar nenhum.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embarcamos ent\u00e3o em uma picape branca de uma fam\u00edlia que viajava a Rur\u00f3polis, nosso destino intermedi\u00e1rio at\u00e9 Altamira. No banco traseiro iam m\u00e3e e filho pequeno, e agora tamb\u00e9m Juliana. Na ca\u00e7amba, carga-viva, sacolejavam Diana e Jo\u00e3o pelo caminho esburacado, dal\u00ed pra frente a estrada era de terra e a chuvinha chegou pra refrescar as id\u00e9ias. Nesse trecho a rodovia \u00e9 um longo corte sinuoso vermelho-argila que contrasta com a imensid\u00e3o verde. N\u00e3o se v\u00eaem mais planta\u00e7\u00f5es de soja e a picape vez ou outra carangueja no piso liso e encharcado, mas nosso piloto parece experiente e seu ve\u00edculo apropriado pra esse tipo de enrosco. Logo paramos atr\u00e1s de uma fila de caminh\u00f5es, \u00f4nibus e alguns carros. \u00c0 frente est\u00e3o alguns tratores pintados com camuflagem militar, trata-se do efetivo do 8\u00ba Batalh\u00e3o de Engenharia de Constru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito (por cuja sede passamos h\u00e1 alguns km atr\u00e1s), respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o\/manuten\u00e7\u00e3o da BR 163 no trecho Santar\u00e9m-Rur\u00f3polis, e que executa atualmente a constru\u00e7\u00e3o de cinco pontes por sobre alguns igarap\u00e9s, chamada de &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Moju&#8221;.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em uma subida n\u00e3o muito acentuada, mas que, por ser longa, tornava dif\u00edcil a subida de ve\u00edculos muitos pesados, como \u00f4nibus e caminh\u00f5es. Uma \u00e1rvore ca\u00edda bloqueava metade da pista bem \u00e0 nossa frente e um trator de terraplenagem tentava limpar o local para que quem tivesse meios tentasse a travessia. Nosso destemido motorista decide enfrentar a pista escorregadia no momento exato em que a chuva aperta. A salva\u00e7\u00e3o da carga-viva foi um peda\u00e7o de lona preta que surgiu para preservar nossa parcial dignidade. Em plena Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m, montou-se uma #Acampada na ca\u00e7amba de uma picape branca. Bem que o dia parecia mesmo promissor.<\/p>\n<p>Com muita destreza do condutor, avan\u00e7amos morro acima at\u00e9 quase o topo, quando o piso excessivamente encharcado e liso mostrou-se um desafio final \u00e0 nossa perseveran\u00e7a. Subimos e descemos por v\u00e1rias vezes um mesmo trecho de 10 metros, com as rodas da caminhonete girando em falso e o motor em alta rota\u00e7\u00e3o exibindo toda a sua pot\u00eancia. O solo al\u00ed era duro e compacto, raz\u00e3o pela qual os pneus acabavam n\u00e3o atolando propriamente, mas rodando no mesmo lugar como se fosse uma lajota lisa e ensaboada. Veio ent\u00e3o em nosso socorro um trator do ex\u00e9rcito que se disp\u00f4s a nos &#8220;guinchar&#8221; naquela pequena parte final. Vencemos o momento de dificuldades e, finalmente, algum tempo depois, chegamos a Rur\u00f3polis. J\u00e1 era por volta das 18h e o dia dava seus primeiros sinais de ceder o lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_130\" aria-describedby=\"caption-attachment-130\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01459.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-130\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01459-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01459-300x225.jpg 300w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01459-150x112.jpg 150w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01459.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-130\" class=\"wp-caption-text\">Vidinha mais ou menos.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Rur\u00f3polis, um esp\u00f3lio da ditadura<\/em><\/p>\n<p>Rur\u00f3polis \u00e9 um munic\u00edpio cuja hist\u00f3ria est\u00e1 ligada ao Programa de Integra\u00e7\u00e3o Nacional (PIN) levado a cabo pelo governo militar a partir de 1971, e que previa a &#8220;coloniza\u00e7\u00e3o dirigida da Amaz\u00f4nia&#8221; \u00e0s margens do mega-projeto rodovi\u00e1rio que rasgou as entranhas da floresta. A proposta foi estruturar a coloniza\u00e7\u00e3o no eixo ordenador da Transamaz\u00f4nica a partir de tr\u00eas tipos de n\u00facleos populacionais: as agrovilas, as agr\u00f3polis e, finalmente, as rur\u00f3polis. Cada uma delas se caracterizaria pela presen\u00e7a de uma determinado n\u00famero m\u00e9dio de habitantes e de servi\u00e7os p\u00fablicos oferecidos no local. As agrovilas contariam com uma escola de 1. grau, uma igreja ecum\u00eanica e um posto m\u00e9dico, tendo um conjunto de 48 a 64 casas de colonos (com seus lotes de terra). As agr\u00f3poles seriam a reuni\u00e3o de algumas agrovilas e contariam com um posto de servi\u00e7os banc\u00e1rios, correios, posto telef\u00f4nico e escola de 2. grau (<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/viewer?a=v&amp;q=cache:Rq8LYJjId_wJ:www.portalimpacto.com.br\/09\/material2010\/medio_e_vest\/docs\/vest\/geo\/f4\/aula8_amazonia-a_ocupacao_do_territorio_na_decada_de_70.pdf+rur%C3%B3polis+agr%C3%B3polis&amp;hl=pt-BR&amp;gl=br&amp;pid=bl&amp;srcid=ADGEESgk8DJrnsj0yCXHtbbadYxSD_CFlrcbURNb-ByyvGWIHIOeo4Vw3F-AnABnYd7TmagQelVPlu97TFguSeGz8TFhzEFn-gR1qvtv2Z1eJao1QJDWVSxVvelQRdVv3eN0CKYBhhlt&amp;sig=AHIEtbTdGtfgHJaKS6-EiqCSJ9i2fUiW6g\">1<\/a>). As rur\u00f3polis, por sua vez, seriam &#8220;centros urbanos com fun\u00e7\u00e3o agroindustrial, cultural e administrativa, com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente de 1.500 a 4.000 habitantes; disponibilizando com\u00e9rcio diversificado como cooperativas, pequenas ind\u00fastrias, oficinas mec\u00e2nicas, restaurantes, hospital-enfermaria, bancos, correios, telefones e escolas de 1\u00ba e 2\u00ba graus, etc&#8221;, al\u00e9m de cinemas, aeroportos, hot\u00e9is e bibliotecas. (<a href=\"http:\/\/www.webartigos.com\/artigos\/origem-e-a-formacao-historica-de-ruropolis-para\/76613\/\">2<\/a>). Na pr\u00e1tica, s\u00f3 foi criada uma agr\u00f3polis (o atual munic\u00edpio de Brasil Novo) e esta rur\u00f3polis (que originalmente se chamava Presidente M\u00e9dici e foi inaugurada pelo pr\u00f3prio general no dia 12 de fevereiro de 1974).<\/p>\n<p>Descemos num posto de gasolina pr\u00f3ximo \u00e0 sa\u00edda da cidade e \u00e0s margens da famigerada rodovia Transamaz\u00f4nica. Ainda nutr\u00edamos a inocente esperan\u00e7a de chegar a Altamira naquele mesmo dia, mas paramos momentaneamente num estabelecimento pr\u00f3ximo para nos refrescarmos e descansarmos um pouco. Lugar curioso, no letreiro da faixada havia a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;Peixaria Nordeste&#8221;, na parede lateral, &#8220;Pens\u00e3o&#8221;, e dentro funcionava principalmente era um restaurante mesmo. Enquanto fum\u00e1vamos um tabaquiho de Juruti, decidimos que poder\u00eda ser uma boa id\u00e9ia nos dividirmos e pelo menos um de n\u00f3s seguir direto para Altamira de \u00f4nibus para garantir a reuni\u00e3o com Dom Erwin no dia seguinte. A essa altura j\u00e1 era noite e n\u00e3o quer\u00edamos correr o risco de n\u00e3o conhecer o prelado que \u00e9 nome forte na luta contra a barragem e a destrui\u00e7\u00e3o do rio Xingu. Partimos caminhando pra Rodovi\u00e1ria j\u00e1 contando com a promessa da dona da pens\u00e3o-peixaria-restaurante de nos abrigar em um de seus quartos (sem cobrar nada) caso n\u00e3o encontr\u00e1ssemos nenhuma outra acomoda\u00e7\u00e3o na cidade.<\/p>\n<p>O \u00fanico \u00f4nibus para Altamira naquele dia era o da empresa Transbrasiliana, que tamb\u00e9m vinha de Santar\u00e9m com sa\u00edda prevista de Rur\u00f3polis para as 19h. Era aquele que t\u00ednhamos encontrado no atoleiro da BR 163 e, a julgar pelas informa\u00e7\u00f5es que chegaram, ainda estava por l\u00e1 parado, sem previs\u00e3o de vencer a ladeira escorregadia. Deixamos nossos telefones com uma senhora que trabalhava no guich\u00ea da companhia e fomos at\u00e9 a &#8220;casa dos padres&#8221;, apelar pro divino.<\/p>\n<p>A casa paroquial da cidade fica na esquina de duas ruas pacatas de terra. L\u00e1 fomos recebidos pelo irm\u00e3o Lu\u00eds, mission\u00e1rio estrangeiro que trabalha na regi\u00e3o h\u00e1 algum tempo.\u00a0 Ele se preparava para ir a uma reuni\u00e3o da igreja e nos atendeu com certa pressa e pouca paci\u00eancia. N\u00e3o achou nem um pouco boa a id\u00e9ia de estarmos viajando de carona (principalmente as duas mulheres), tampouco aparecermos sem avisar nos lugares. Exercitando toda a candura de nosso cristianismo n\u00e3o-praticante, ouvimos alguns despaut\u00e9rios que fariam Berta Lutz pular no pesco\u00e7o de algu\u00e9m, mas aceitamos a oferta de comida quente e ducha fria nas depend\u00eancias externas da casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01465.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-131\" src=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01465-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01465-300x225.jpg 300w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01465-150x112.jpg 150w, https:\/\/belomonte.noblogs.org\/files\/2012\/01\/DSC01465.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Banho tomado e telefonemas feitos a Dom Erwin e Marcinho, deixamos pra tr\u00e1s o baixo-astral e um bilhete ao irm\u00e3o agradecendo pela acolhida. Na rodovi\u00e1rio n\u00e3o havia sinal do \u00f4nibus nem qualquer previs\u00e3o por mais otimismo que fosse, resolvemos ent\u00e3o aceitar a oferta da dona da pens\u00e3o e fomos abrigados no quarto de n\u00famero nove. O dia tinha sido longo e logo todos est\u00e1vamos dormindo. Ao raiar do sol dever\u00edamos j\u00e1 estar na estrada, nos restavam ainda quase 400 km at\u00e9 Atamira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Altamira, madrugada de 16 para 17 de janeiro de 2012 Sede do Movimento Xingu Vivo Para Sempre\u00a0 Come\u00e7amos a vinda de Santar\u00e9m para c\u00e1 no dia 11 ao meio-dia, levantando uma plaquinha que dizia \u201cAltamira\u201d e outra que dizia \u201cRur\u00f3polis\u201d em frente a um posto, na sa\u00edda da BR-163. Nessa ponta, a rodovia Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m \u00e9 &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/?p=78\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;De Santar\u00e9m a Rur\u00f3polis&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4848,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[44,54,43,41,45,42],"class_list":["post-78","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-relato-de-viagem","tag-altamira","tag-carona","tag-cuiaba-santarem","tag-rio-xingu","tag-ruropolis","tag-transamazonica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/78","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4848"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=78"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/78\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/78\/revisions\/80"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=78"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=78"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/belomonte.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=78"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}